Quando eu acordar de manhã

Quando eu acordar de manhã

quero olhar para o dia

e só ver luz.

Olhar para as nuvens

e só ver o céu.

 

Amanhã de manhã, quando eu acordar

quero olhar para as pessoas

e só ver sorrisos.

Olhar para o futuro

e só ver vitórias.

 

Quando eu acordar de manhã,

quero olhar para mim

e só ver paz,

quero olhar para o lado

e só ver você.

Dez anos e muitas manhãs e amanhãs, continuo só vendo a luz, o céu azul, os sorrisos, as vitórias, a paz, e você, acima de tudo, você. ❤

Anúncios

Como a imprensa vai enfrentar as notícias falsas?

6641427981_0bc638f8e8_o

Não há para onde fugir | imagem: Free Press

Tempos difíceis, esses tempos modernos. 2016 foi um ano de mortes, eleições, afastamentos, vitórias e muitas outras coisas que ficaram lá na gaveta da memória. De vez em quando, como num álbum de família, abrimos a gaveta de um ano ao acaso e nos recordamos do que passou. Revivemos na nossa mente um evento interessante ou escolhemos colocar esse álbum de imagens ruins no fundo do cérebro para tentar esquecer o que a memória teima em lembrar.

Em 2017, como em todos os anos, queríamos novidades boas. Mas certas coisas não mudam com as folhas do calendário e ao acordarmos no primeiro de janeiro, continuamos com os mesmos problemas do último dia do ano anterior. E para não ficar em exemplos genéricos, vamos falar da mídia.

Oscar Wilde dizia:”a diferença entre o jornalismo e a literatura é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida”.

Como jornalista, estou cansado de ouvir falar sobre a crise da mídia. Primeiro foi a financeira, com a queda de vendas dos jornais nas bancas. Depois veio a crise de identidade, com a chegada da internet e a sua nova maneira de comunicar. E agora, a mídia enfrenta a maior crise desde a sua criação: a crise de credibilidade.

Em 2003, o New York Times descobriu que um dos seus repórteres inventara que estaria trabalhando em outras cidades dos Estados Unidos enquanto na verdade estava o tempo todo escrevendo no seu apartamento em Nova York. Ele pegava fotos de outros órgãos de comunicação e conseguia as informações com colegas fotógrafos que se encontravam nos locais de reportagem. O repórter foi afastado. Nesse caso, é um exemplo de ruptura do contrato de confiança entre o jornal e o seu jornalista.

Alguns anos depois, a revista norte-americana Rolling Stone foi condenada por ter publicado um artigo sem verificação jornalística sobre um estupro coletivo ocorrido no campus da Universidade de Virginia. A jornalista Sabrina Erdely escreveu a matéria se baseando apenas no depoimento de uma das vítimas, sem nenhuma apuração com os acusados ou com outros membros da universidade. Depois da condenação, a Rolling Stone publicou a retratação e tentou analisar o que correu mal.

Numa carta de Thomas Jefferson escrita em 1807, o então presidente dos EUA afirma:  “O homem que não lê jornais está mais bem informado que aquele que os lê, porquanto o que nada sabe está mais próximo da verdade que aquele cujo espírito está repleto de falsidades e erros”.

Nos anos de ouro da mídia, famílias sentavam-se ao lado do rádio para ouvir as notícias. O vendedor de jornais mal dava conta de atender a todos. Era o momento de saber o que estava acontecendo do outro lado da rua ou do outro lado do mundo. As notícias tinham hora para chegar. Os jornais eram referência porque o que estava lá escrito era verdade – mesmo que desde sempre influenciado pela agenda dos proprietários do meio de comunicação. A expressão “Quarto Poder”, referindo-se aos três poderes nomeados do Estado de Direito(Executivo, Legislativo e Judiciário), mostra o tamanho do potencial de influência da mídia nas sociedades modernas.

5495439601_3b0506648a_z

A internet é mais do que fake news e gatos | imagem: Salihan

Com a chegada das redes sociais, tudo mudou. A velocidade de trasmissão do conhecimento e, por sua vez, das notícias, se acelerou à velocidade dos cliques e não à velocidade da apuração da verdade.

Responda rápido: quanto tempo a sua avó e o seu avô demoravam para ler o jornal de manhã? Eles estavam informados depois da leitura? E você? Como você se informa sobre a atualidade? Tudo o que você “curtiu” no Facebook foi lido por você e saiu de uma fonte confiável?

Antigamente a verificação das fontes era feita pelo jornalista e apenas por ele. Mas agora, que o leitor virou também emissor de informação, quem verifica essas fontes?

Órgãos de comunicação alternativos surgem em todos os países, fortalecidos pela fraqueza da mídia tradicional. “Leia o que você não lê nos outros jornais”, pregam eles. É um slogan forte mas que tem que se basear no contrato de confiança entre o leitor e o meio. Não sejamos inocentes, sempre escolhemos a mídia de preferência de acordo com as nossas convicções. Mas cada um deles deve ser confiável, mesmo que tenha um ângulo de abordagem específico.

Ao mesmo tempo, grandes mídias como o New York Times e o The Guardian tentam cativar novos leitores dispostos a pagar por um jornalismo de qualidade, argumentando que a boa informação custa dinheiro. Um dinheiro que a publicidade já não consegue pagar sozinha.

Os sites de “notícias falsas humorísticas” como o Sensacionalista – Isento de Verdade, no Brasil; o Inimigo Público – Se não aconteceu, podia ter acontecido, em Portugal; ou o Gorafi – Todas a informação de acordo com fontes contraditórias, na França, apenas para citar alguns, tem que ser engraçados e ainda ter o esforço extra de conseguir convencer as pessoas de que as notícias são mesmo falsas. Não é à toa que todos eles tem um subtítulo esclarecedor dos mais distraídos.

Por outro lado, surgem os sites de fake news “profissionais” onde o objetivo pode ser variado, desde vender espeço publicitário, divulgar uma ideia política ou provocar uma falsa discussão. O New York Times fez uma matéria muito interessante sobre a indústria das notícias falsas e como, ao contrário dos mídias tradicionais, não é preciso muitos meios para fazer circular uma informação.

24854169213_f2afeace89_z

Primeira medida de Trump: todos os dias serão 1 de abril | imagem: DonkeyHotey

O presidente eleito Donald Trump pode ser o líder dos Estados Unidos mas também é o nome máximo da era pós-verdade. Seus tweets, quase sempre auto-elogiosos e críticos de tudo que o ataca, espalham e criticam notícias reais e falsas com a mesma veemência, criando confusão no receptor de suas mensagens.

A divulgação pelo BuzzFeed, de um relatório elaborado por um órgão privado de segurança, do qual faz parte um suposto ex-membro dos serviços secretos britânicos, foi o estopim de um debate sobre a ética no novo jornalismo.

Segue a explicação de Ben Smith, editor-chefe do BuzzFeed, publicada em um memorando interno e que vai ser tema de muitas aulas de jornalismo daqui para a frente:

“Publicá-lo não foi uma decisão fácil ou simples e pessoas de boa vontade podem discordar da nossa escolha. Mas publicar o dossiê reflete a maneira pela qual vemos o trabalho de um repórter em 2017”.

Recorde-se que as informações publicadas no BuzzFeed rodaram as altas esferas políticas e jornalísticas americanas sem encontrar ninguém que as publicasse pela total impossibilidade de confirmar as informações contidas no documento.

c_

Não acredite em tudo o que lê | imagem: reprodução

Em 1938, um jovem Orson Welles narrou pelo rádio a invasão da Terra por seres alienígenas. Tratava-se de uma dramatização do livro “A Guerra dos Mundos” de H.G. Wells. Muitas das seis milhões de pessoas que ouviam o programa não prestaram atenção no contexto ou pegaram a história pela metade. O formato convincente elaborado por Welles e o meio confiável da rádio enganaram milhões de pessoas trazendo pânico e assustando os mais distraídos.

A obra de H.G. Wells foi escrita em 1898 com uma enorme modernidade jornalística, sendo um dos precursores da ficção científica. Do seu lado, Welles adaptou a ficção à realidade e foi um dos precursores da notícia falsa. Infelizmente, quase 120 anos depois do livro e oitenta anos depois da transmissão de rádio, parece que ainda deixamos uma ficção bem embrulhada nos enganar.

 

 

Quem coloca os políticos onde eles estão?

eto7440-editar-editar

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Você, que anda aí só partilhando textos no Facebook e indignado com os rumos da política brasileira, veja se usa a internet para algo útil e anote como o seu senador votou na PEC 55. Se por acaso não se lembra em quem votou nas últimas eleições, você provavelmente precisa colocar essa lista na sua geladeira ou na carteira para se inspirar da próxima vez que for às urnas.

“São todos ladrões”. Pode até ser. Mas se os ladrões que estão lá continuarem, quem vai se dar mal é você. E eles só ficam se você quiser.

E vigie o seu senador, o seu deputado. Vá aos sites do Senado e do Congresso para saber como ele vota, as presenças.

Na dúvida, escreva para ele. Ok, só uma pessoa enchendo o saco pode não contar, mas se todos os eleitores cobrassem as propostas do seu candidato, talvez não tivéssemos chegado onde estamos. Todos criticam o MBL, mas o grupo soube fazer pressão durante o processo de votação do impeachment da ex-presidenta Dilma Roussef.

Votar pode ser um compromisso que temos a cada quatro anos, mas ser cidadão é algo que somos, ou devíamos ser, todos os dias. Ultimamente temos a impressão que todo o brasileiro nasce com o gene da indignação. Aprendemos com os nossos pais a ler o jornal e reclamar, mas paramos por aí. Como se vivêssemos numa democracia aleatória em que os governantes são escolhidos por um programa de computador e que só nos resta aceitar a sorte e esperar que da próxima vez saia uma combinação mais favorável.

Milhares de pessoas morreram para que hoje tenhamos uma data para realmente dar a nossa opinião, mudar, fazer a diferença. Mas parece que preferimos esquecer o passado e chorar no Facebook. E chorar é mais fácil porque não implica nenhuma ação, apenas deixar as lágrimas caírem no teclado e esperar que sequem até a próxima choradeira.

Ouço frequentemente que a imprensa está aí para fiscalizar os políticos, mas esse papel é, em primeira instância, da justiça e acima de tudo, das pessoas. Aja localmente e influencie globalmente.

Aqui está a lista dos contatos dos senadores em exercício e aqui a lista dos congressistas.

 

Poema decorativo


Michel Temer quando dorme
Põe a mão no coração
Leu na Folha, leu no Estado
Teve nova delação.

Gosta muito de vazar,
Carta, mail, gravação
Era vice, que azar,
Apenas decoração.

Queria economizar
Acabou com ministério
Mas Temer, que azar
Tirou artista do sério

Vice no Planalto
Presidente sem Ibope
Olhando povo do alto
Tá na cara que foi golpe.

Quem escreveu esse textão?


Bob Dylan escreve textão. Renato Russo escrevia textão. Jane Austen escrevia textão. Dostóievski escrevia textão. Eça de Queiroz escrevia textão. Mary Shelley escrevia textão. George R. Martin escreve textão. Camões escrevia textão. Tolkien escrevia textão. Cervantes escrevi textão. Victor Hugo escrevia textão.

Facebook escreve textinho. Telegrama escreve textinho. Twitter escreve textinho. SMS escreve textinho. A imprensa brasileira anda escrevendo textinho.

Já contamos o dinheiro no final do mês, contamos os dias para o final da semana, contamos as horas para o fim do dia. Contamos quase tudo, para quê contar caracteres? 

Tem um monte de gente boa escrevendo por aí. E eles decidiram se juntar num blog dos blogs, onde todo mundo escreve porque gosta. E são tantos blogs que a gente não precisa nem contar, basta ir lá na Central do Textão e ir lendo.

Carta de amor

6473110847_569e5e6bcc_o

Querido blog,
Espero que você esteja bem, gozando de boa saúde. Por aqui tudo bem. Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas por não ter dado notícias durante todo esse tempo. Como você deve saber, a vida não anda nada fácil. Eu tentei me reaproximar de você, ensaiei mil maneiras de começar uma conversa, mas tudo parecia mais difícil quando chegava o momento de escrever.A gente já teve um relacionamento sério, a gente se via todos os dias, você fazia parte da minha vida e eu acho humildemente que eu também fiz parte da sua. Quando nos conhecemos, tivemos dificuldades em transformar aquelas visitas pontuais em algo mais duradouro, mas com o muito esforço acho que construímos algo bonito.

Eu sei que você já passou por muita coisa antes da gente se conhecer e eu me sinto muito culpado por ter lhe abandonado quando você mais precisava de mim. Nesse tempo em que andei afastado, eu ouvi notícias horríveis sobre você: que você estaria morrendo, que tinha os dias contados, que ninguém mais ligava para você. Isso me doeu muito. Mas outras pessoas diziam que não, que você só andava mais afastada, que não frequentava as mesmas pessoas e que os seus bons amigos continuavam lhe vendo discretamente.

Sei que você deve ter ouvido muita coisa sobre mim, muita fofoca, muito boato. Eu quero sinceramente explicar tudo isso para evitar mal entendidos. Tenho conhecimento que falaram para você que eu te troquei pelo Facebook, pelo Instagram, pelo Twitter e, veja você, até pelo Google +. Eu assumo que tive meus momentos loucos, que cheguei a invejar quem usava o MySpace. Mas esse tempo acabou. Eu quero realmente me reaproximar de você de maneira honesta e tentar um recomeço.

Fico aguardando o retorno do correio para saber se você me dá a oportunidade de voltarmos a estar juntos. Prometo que serei muito mais presente e que farei de tudo para que todos falem da gente como um exemplo.

Saudosos cumprimentos,


photo credit: Hello Muddah, Hello Fadduh (A Letter from Camp) via photopin (license)