Dicas de sexta – Eike, Havana e Angola

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Política: “Eike e o seguro de Cabral”

Texto da jornalista Malu Gaspar(@malugaspar) na Piauí fala sobre as relações perigosas entre o empresário Eike Batista e o ex-governador Sérgio Cabral.

Jornalismo: “Entrevista de Donald Trump para a ABC”(em inglês)

A transcrição integral da primeira grande entrevista de Donald Trump para a ABC depois da eleição. Um grande trabalho de anotações feita pelos jornalistas do Washington Post.

Jornalismo: “Lost in Trumpslation”(em francês)

“Great, tremendous, incredible, strong e tough”. São as palavras mais usadas por Donald Trump nas entrevistas em improviso. Tradutora explica para o Slate como a falta de vocabulário do presidente norte-americano dificulta o trabalho do tradutor.

Cultura: This is what Havana growing Wifi revolution looks like (em inglês)

O fotógrafo Jason Larkin e o autor cubano Osdany Morales explicam como os 35 pontos de wifi instalados pelo governo de Havana estão mudando a paisagem do país.

Música: Para continuar a descobrir um tesouro chamado Bonga

O cantor angolano vai cantar com o português B Fachada na galeria Zé dos Bois em Lisboa nesta sexta-feira. Último álbum de Bonga está no Spotify.

História: Quarenta anos de ruidoso silêncio

“Tanta gente boa que morreu em 1977! Muitos milhares de jovens idealistas, angolanos que amavam o seu país. Pessoas que, caso ainda estivessem vivas, estariam agora, com toda a certeza, a contribuir para uma Angola melhor”.

O trecho é de um artigo do autor angolano José Eduardo Agualusa referindo-se ao massacre ocorrido em 27 de maio de 1977. Vale a pena ler.

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Dória vai pintar o muro de Trump

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Depois de anunciar que vai cumprir a promessa de construir um muro na fronteira com o México, Donald Trump deve revelar nos próximos dias o nome das empresas envolvidas no processo.

Não se sabe ainda quem vai levantar o muro, mas de acordo com informações obtidas por este blog, tudo indica que o prefeito de São Paulo, João Dória, vai ser chamado para fazer a pintura. “Já vi o trabalho de Dória e fiquei feliz com a sua velocidade. Ele realmente trabalha depressa”, teria dito o presidente americano.

Dória se mostrou animado com o convite de Trump, mas não espera começar imediatamente.”Ainda não escolhi a cor, mas hesito entre o cinza chumbo, cinza escuro, cinza prata ou cinza alumínio”, declarou o prefeito da cidade.

Um dos fatores que influenciaram na escolha de João Dória foi a preparação para o cargo. “Quando Trump soube que ele já tinha experiência e o uniforme, decidiram logo”, confessou um membro da equipe de Dória.

O prefeito de São Paulo não quis comentar as polêmicas envolvendo o presidente norte-americano e prefere dar tempo para Trump mostrar o seu valor. “As pessoas são muito apressadas em classificar os governantes. Em política nem tudo é preto ou branco, às vezes também é cinza”, declarou Dória.

Dicas da sexta – Trump, presos, elite, quem chega e quem sai

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Tecnologia: “Cá estou, causando” 

Mini entrevista com Buh D’Angelo, uma mulher negra no meio elitista e branco da tecnologia. Criadora da InfoPreta, uma empresa inovadora que faz manutenção, cursos, consultoria, sites e reciclagem de equipamentos eletrônicos.

Sociedade: “Qual o perfil da população carcerária brasileira”

Há mais de 646 mil presos no Brasil, a maior parte por tráfico de drogas. O Nexo fez uma uma série de infográficos analisando a realidade prisional brasileira.

Sociedade: “Porque as elites sempre ganham”

O termo elite, usado pela primeira vez em 1902 pelo franco-italiano Vilfredo Pareto, é usado em vários contextos e, dependendo da realidade social, pode ter referenciais diferentes.  Um artigo de Hugo Drochon publicado na revista New Statesman analisa o termo em época de Trump e Brexit.

Política: “Um casal de Chicago”

Em 1996 a fotógrafa Mariana Cook fez uma série de fotos com jovens casais americanos, entre eles, Barack e Michelle Obama. Na época, Barack estava se candidatando pela primeira vez ao Senado e o depoimento que acompanha a fotografia é extremamente coerente com o percurso que o casal percorreu.

Política: “Entrevista com Lenine”

“Com a direita, eu não me senti traído… Eu sabia qual era a regra do jogo. Na hora em que uma esquerda sobe ao poder, sob a égide ‘vamos mudar’, e faz a mesma coisa, entra nessa equação um sentimento de traição imperdoável… Imperdoável.” 

O cantor Lenine deu uma entrevista ao programa Morning Show da rádio Jovem Pan, falou sobre a carreira, projetos e sobre sobre o governo do PT e da atual situação política do Brasil (a partir do minuto 33).

Publicidade: Trump, Trump, Trump…

Donald Trump come pizza,Donald Trump come hamburguer, Donald Trump como Oreos, Donald Trump conversa com carneirinhos, Donald Trump conversa com Luciana Gimenez

 

Quando eu acordar de manhã

Quando eu acordar de manhã

quero olhar para o dia

e só ver luz.

Olhar para as nuvens

e só ver o céu.

 

Amanhã de manhã, quando eu acordar

quero olhar para as pessoas

e só ver sorrisos.

Olhar para o futuro

e só ver vitórias.

 

Quando eu acordar de manhã,

quero olhar para mim

e só ver paz,

quero olhar para o lado

e só ver você.

Dez anos e muitas manhãs e amanhãs, continuo só vendo a luz, o céu azul, os sorrisos, as vitórias, a paz, e você, acima de tudo, você. ❤

Dicas da sexta – Bauman e Bowie

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Jornalismo: “Rolling Stone at 50: Making the First Issue”

O ano de 2017 marca os 50 anos da revista Rolling Stone. Feita de sucessos e tropeções, a revista é uma referência na cultura pop e no jornalismo alternativo, dentro do mainstream da mídia americana. Nesse artigo, Andy Greene fala sobre o processo de preparação do número 1 da revista.

Literatura: “Letras e Becos  – Literatura das Periferias de São Paulo”

A literatura está em crise, tudo está em crise. Imagine se você mora na periferia. A Elo da Corrente Edições e a Avangi Cultural vão lançar uma antologia bilíngue com textos de 18 autores da cidade de São Paulo. São contos, crônicas e poesias reunidos por Amanda Prado e Michel Yakini. Vale a pema conferir o site na segunda-feira.

Sociedade: “Zygmunt Bauman – Há muitas maneiras de ser humano”

Muitos textos sobre o sociólogo polonês foram publicados na última semana. Essa é uma entrevista de 2013 dada a Vítor Belanciano, do Público. Nela, Bauman fala sobre o papa Francisco, sobre as redes sociais e sobre o consumismo.

Música: “David Bowie – No Plan”

Um ano depois da sua morte, a Columbia Records lançou um EP com três canções inéditas de Bowie e a já lançada “Lazarus”. Depois do desaparecimento de um artista, a ânsia por coisas novas é grande e com Bowie não iria ser diferente. Ao mesmo tempo, a BBC2 exibiu no dia 7 um documentário sobre os últimos cinco anos da vida do cantor britânico. A playlist do O Nome da Prosa estreia no Spotify com o EP de David Bowie.

Como a imprensa vai enfrentar as notícias falsas?

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Não há para onde fugir | imagem: Free Press

Tempos difíceis, esses tempos modernos. 2016 foi um ano de mortes, eleições, afastamentos, vitórias e muitas outras coisas que ficaram lá na gaveta da memória. De vez em quando, como num álbum de família, abrimos a gaveta de um ano ao acaso e nos recordamos do que passou. Revivemos na nossa mente um evento interessante ou escolhemos colocar esse álbum de imagens ruins no fundo do cérebro para tentar esquecer o que a memória teima em lembrar.

Em 2017, como em todos os anos, queríamos novidades boas. Mas certas coisas não mudam com as folhas do calendário e ao acordarmos no primeiro de janeiro, continuamos com os mesmos problemas do último dia do ano anterior. E para não ficar em exemplos genéricos, vamos falar da mídia.

Oscar Wilde dizia:”a diferença entre o jornalismo e a literatura é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida”.

Como jornalista, estou cansado de ouvir falar sobre a crise da mídia. Primeiro foi a financeira, com a queda de vendas dos jornais nas bancas. Depois veio a crise de identidade, com a chegada da internet e a sua nova maneira de comunicar. E agora, a mídia enfrenta a maior crise desde a sua criação: a crise de credibilidade.

Em 2003, o New York Times descobriu que um dos seus repórteres inventara que estaria trabalhando em outras cidades dos Estados Unidos enquanto na verdade estava o tempo todo escrevendo no seu apartamento em Nova York. Ele pegava fotos de outros órgãos de comunicação e conseguia as informações com colegas fotógrafos que se encontravam nos locais de reportagem. O repórter foi afastado. Nesse caso, é um exemplo de ruptura do contrato de confiança entre o jornal e o seu jornalista.

Alguns anos depois, a revista norte-americana Rolling Stone foi condenada por ter publicado um artigo sem verificação jornalística sobre um estupro coletivo ocorrido no campus da Universidade de Virginia. A jornalista Sabrina Erdely escreveu a matéria se baseando apenas no depoimento de uma das vítimas, sem nenhuma apuração com os acusados ou com outros membros da universidade. Depois da condenação, a Rolling Stone publicou a retratação e tentou analisar o que correu mal.

Numa carta de Thomas Jefferson escrita em 1807, o então presidente dos EUA afirma:  “O homem que não lê jornais está mais bem informado que aquele que os lê, porquanto o que nada sabe está mais próximo da verdade que aquele cujo espírito está repleto de falsidades e erros”.

Nos anos de ouro da mídia, famílias sentavam-se ao lado do rádio para ouvir as notícias. O vendedor de jornais mal dava conta de atender a todos. Era o momento de saber o que estava acontecendo do outro lado da rua ou do outro lado do mundo. As notícias tinham hora para chegar. Os jornais eram referência porque o que estava lá escrito era verdade – mesmo que desde sempre influenciado pela agenda dos proprietários do meio de comunicação. A expressão “Quarto Poder”, referindo-se aos três poderes nomeados do Estado de Direito(Executivo, Legislativo e Judiciário), mostra o tamanho do potencial de influência da mídia nas sociedades modernas.

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A internet é mais do que fake news e gatos | imagem: Salihan

Com a chegada das redes sociais, tudo mudou. A velocidade de trasmissão do conhecimento e, por sua vez, das notícias, se acelerou à velocidade dos cliques e não à velocidade da apuração da verdade.

Responda rápido: quanto tempo a sua avó e o seu avô demoravam para ler o jornal de manhã? Eles estavam informados depois da leitura? E você? Como você se informa sobre a atualidade? Tudo o que você “curtiu” no Facebook foi lido por você e saiu de uma fonte confiável?

Antigamente a verificação das fontes era feita pelo jornalista e apenas por ele. Mas agora, que o leitor virou também emissor de informação, quem verifica essas fontes?

Órgãos de comunicação alternativos surgem em todos os países, fortalecidos pela fraqueza da mídia tradicional. “Leia o que você não lê nos outros jornais”, pregam eles. É um slogan forte mas que tem que se basear no contrato de confiança entre o leitor e o meio. Não sejamos inocentes, sempre escolhemos a mídia de preferência de acordo com as nossas convicções. Mas cada um deles deve ser confiável, mesmo que tenha um ângulo de abordagem específico.

Ao mesmo tempo, grandes mídias como o New York Times e o The Guardian tentam cativar novos leitores dispostos a pagar por um jornalismo de qualidade, argumentando que a boa informação custa dinheiro. Um dinheiro que a publicidade já não consegue pagar sozinha.

Os sites de “notícias falsas humorísticas” como o Sensacionalista – Isento de Verdade, no Brasil; o Inimigo Público – Se não aconteceu, podia ter acontecido, em Portugal; ou o Gorafi – Todas a informação de acordo com fontes contraditórias, na França, apenas para citar alguns, tem que ser engraçados e ainda ter o esforço extra de conseguir convencer as pessoas de que as notícias são mesmo falsas. Não é à toa que todos eles tem um subtítulo esclarecedor dos mais distraídos.

Por outro lado, surgem os sites de fake news “profissionais” onde o objetivo pode ser variado, desde vender espeço publicitário, divulgar uma ideia política ou provocar uma falsa discussão. O New York Times fez uma matéria muito interessante sobre a indústria das notícias falsas e como, ao contrário dos mídias tradicionais, não é preciso muitos meios para fazer circular uma informação.

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Primeira medida de Trump: todos os dias serão 1 de abril | imagem: DonkeyHotey

O presidente eleito Donald Trump pode ser o líder dos Estados Unidos mas também é o nome máximo da era pós-verdade. Seus tweets, quase sempre auto-elogiosos e críticos de tudo que o ataca, espalham e criticam notícias reais e falsas com a mesma veemência, criando confusão no receptor de suas mensagens.

A divulgação pelo BuzzFeed, de um relatório elaborado por um órgão privado de segurança, do qual faz parte um suposto ex-membro dos serviços secretos britânicos, foi o estopim de um debate sobre a ética no novo jornalismo.

Segue a explicação de Ben Smith, editor-chefe do BuzzFeed, publicada em um memorando interno e que vai ser tema de muitas aulas de jornalismo daqui para a frente:

“Publicá-lo não foi uma decisão fácil ou simples e pessoas de boa vontade podem discordar da nossa escolha. Mas publicar o dossiê reflete a maneira pela qual vemos o trabalho de um repórter em 2017”.

Recorde-se que as informações publicadas no BuzzFeed rodaram as altas esferas políticas e jornalísticas americanas sem encontrar ninguém que as publicasse pela total impossibilidade de confirmar as informações contidas no documento.

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Não acredite em tudo o que lê | imagem: reprodução

Em 1938, um jovem Orson Welles narrou pelo rádio a invasão da Terra por seres alienígenas. Tratava-se de uma dramatização do livro “A Guerra dos Mundos” de H.G. Wells. Muitas das seis milhões de pessoas que ouviam o programa não prestaram atenção no contexto ou pegaram a história pela metade. O formato convincente elaborado por Welles e o meio confiável da rádio enganaram milhões de pessoas trazendo pânico e assustando os mais distraídos.

A obra de H.G. Wells foi escrita em 1898 com uma enorme modernidade jornalística, sendo um dos precursores da ficção científica. Do seu lado, Welles adaptou a ficção à realidade e foi um dos precursores da notícia falsa. Infelizmente, quase 120 anos depois do livro e oitenta anos depois da transmissão de rádio, parece que ainda deixamos uma ficção bem embrulhada nos enganar.