Stevie Wonder – Living for the City

Em 1974, Stevie Wonder tocou no Musikladen, um programa de televisão da então Alemanha Ocidental para promover o seu álbum mais recente, o genial “Innervisions”, lançado no ano anterior. Foram 30 minutos da melhor qualidade musical e uma banda enxuta mas dona do próprio som. O guitarrista e tecladista, Michael Sembello, tinha apenas 20 anos nesse vídeo e já tocava com Stevie há 3 anos. Segue a composição da banda:
 
Denise Williams – vocais
Lani Groves – vocais
Shirley Brewer – vocais
Ollie Brown – bateria
Mike Sembello – guitarra
Marlo Henderson – guitarra
Reggie McBride -baixo
Living for the City
 
A boy is born in hard time Mississippi
Surrounded by four walls that aint so pretty
His parents give him love and affection
To keep him strong moving in the right direction
Living just enough, just enough for the city!
 
His father works some days for fourteen hours
And you can bet he barely makes a dollar
His mother goes to scrub the floors for many
And you’d best believe she hardly gets a penny
Living just enough, just enough for the city!
 
His sisters black but she is shonuff pretty
Her skirt is short but lord her legs are sturdy
To walk to school she’s got to get up early
Her clothes are old but never are they dirty
Living just enough, just enough for the city!
 
Her brothers smart he’s got more sense than many
His patiences long but soon he wont have any
To find a job is like a haystack needle
Cause where he lives they dont use colored people
Living just enough, just enough for the city!

Trump reclamão

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Imagem: Shawn Campbell

Depois de alguma observação, percebi que quase todos os tweets do presidente norte-americano, Donald Trump, pela sua simplicidade de vocabulário e tom reclamão, poderiam ser de um filho chateado com o tratamento da mãe ou do pai. Aqui vão alguns exemplos alterando, obviamente, o tema do tweet mas mantendo a expressão de espanto e exclamação:

Papai tá decadente

Papai teve que pedir desculpas por ter sido malvado comigo naquele dia. Agora ele tá fazendo pior ainda!

Tá todo mundo errado

Tudo o que a mamãe contou de mim é mentira, igualzinho o que a titia, a professora e o Juquinha contaram. Todo mundo sabe que pintar as paredes é legal.

Mauzão está feliz

Mamãe convidou o meu vizinho para vir brincar e ele não sabe brincar, ele é mau. Pessoas más como ele ficam felizes com isso.

Papai continua decadente e perdido

Depois do papai ter sido obrigado a pedir desculpas pra mim por ser tão malvado, o papai, esse MENTIROSO continua perdidão!

Minha mãe é que sabe

Esse pessoal que fala que eu puxo rabo de gato só prova que minha mãe tá certa e que eu sou o melhor menino do mundo.

Amigo é amigo

Parabéns para o meu amigo Chiquinho por ter contado tantas coisas legais de mim. Ele é muito mais melhor que o MENTIROSO do meu pai que só conta mentiras – todo mundo sabe!

Exagero

Mamãe, eu só comi dois brigadeiros na festa. Todos os outros 450 quem comeu foi o canário que teve uma vontade repentina de participar na minha festa…

Feio, bobo e mau

Todo mundo discutindo se eu mandei ou não todo mundo que estava brincando pra fora do meu quarto. Chamem como quiser mas eu quero que meu amigos bobos (que fazem coisas bobas) fora daqui!

Dicas da sexta – Pac-Man, Pessoa e Karol Conka

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Esporte: A agonia de um lutador de MMA antes da luta

“A desidratação é a pior parte do processo, mas o carro é a pior parte da desidratação”. A frase é Magno Wilson, treinador de Acácio “Pequeno” dos Santos, lutador de MMA, referindo-se à técnica improvisada de fazer o atleta brasileiro transpirar dentro de um carro quente para perder peso antes de uma luta. Texto de Adriano Wilkson para o UOL.

Justiça: Perfil do juiz que mandou milionários e políticos brasileiros para a prisão

Com a evolução da operação Lava Jato, os juízes tem tido um destaque fora do comum. Marcelo Bretas foi o juiz que ordenou as prisões do empresário Eike Batista e do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Texto de Júlia Carneiro para a BBC Brasil.

Literatura: 49 lições de vida de Fernando Pessoa

O escritor português escreveu sobre quase tudo. Muita coisa não foi publicada com o mesmo destaque dos poemas mais conhecidos. A editora Tinta-da-China publica Como Fernando Pessoa pode mudar a sua vida, uma coleção de textos realizada por Carlos Pitella e Jerônimo Pizarro. Sobre o bigode de Hitler, Pessoa escreveu: “Hitler. His very moustache is pathological. Lack of sense of humour”.

Mundo: Inside the brutal battle for Mosul (em inglês)

A rede pública norte-americana PBS em parceria com os ingleses do The Guardian realizaram uma série de reportagens sobre a tomada da cidade de Mossul, no Iraque. Destaque para a ótima reportagem do jornalista iraquiano Ghaith Abdul-Ahadum, filmada com câmeras de 360 graus, onde o espectador tem uma visão impressionante da realidade da cidade.

Games: Entrevista de 2015 com o inventor do Pac-Man (em inglês)

O criador de um dos jogos mais conhecidos da história do video-game faleceu esta semana. Toru Iwatani deu uma entrevista para a revista Time em 2015 e explicou como viu o personagem numa fatia de pizza.

Música: Teaser de Farofei, de Karol Conka

O clip do novo single de Karol Conka foi filmado no Japão e dirigido por KondZilla, em mais uma parceria dela com Boss in Drama. Faz parte do álbum Ambulante, a ser lançado ainda este ano.

Fronteiras

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Imagem: Ryan Godfrey

Querem fechar as fronteiras para os muçulmanos porque são terroristas.

Querem fechar as fronteiras para os negros porque são a maior população prisional americana.

Querem fechar as fronteiras para os desempregados porque vão roubar nosso emprego.

Querem fechar as fronteiras para os famintos porque vão comer nosso pão.

Querem fechar as fronteiras para os desesperados porque vão trazer desalento para o nosso povo.

Querem fechar as fronteiras para os cansados porque vão segurar nosso progresso.

Querem fechar as fronteiras para os pobres porque vão roubar nossa riqueza.

Querem fechar as fronteiras para os que sonham em respirar liberdade porque vão tirar nosso ar.

Querem fechar as fronteiras para os desabrigados porque vão roubar nossas casas.

Querem fechar as fronteiras para todos que representem uma ameaça.

E quando tudo estiver fechado, veremos que estamos trancados sozinhos com a nossa própria desumanidade.

O homem sem opinião

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Imagem: Colin Kinner

Não sabe ou não opina. Passou a ser o seu lema de vida. Deixou de responder pesquisas, enquetes, questionários, tudo que implicasse ter uma posição. “É a favor ou contra o uso de armas?”, “Em quem votaria para presidente?”, “Qual é a sua opinião sobre a corrupção?”. Para todas essas perguntas ele passou a ter a mesma resposta: não sei, não tenho opinião.

No princípio ficou meio confuso. Afinal, declarar que não tinha conhecimento sobre um tema que no fundo dominava poderia ser encarado como desonestidade intelectual. Depois, a sensação foi passando. Na sua conta no Facebook, onde ele diariamente dava a sua opinião em assuntos que iam da política econômica nacional à situação na Síria, passando sobre o que achava da utilização de coentro nos pratos de peixe, começou a adotar essa estratégia. Num longo texto na rede social sobre o posicionamento da Europa na crise dos refugiados, usou a caixa de comentários para escrever: “Não sei”. Numa outra postagem do Facebook sobre as declarações polêmicas de Trump declarou: “Não opino”.

Começou a variar os seus comentários entre essas duas respostas; por vezes combinava as duas: “não sei, prefiro não opinar”. Quando insistiam, ele era mais claro, mas sempre educado: “não tenho conhecimento para dar uma opinião embasada”.

O Facebook, lugar que sobrevive graças à vontade que temos em dar palpite na vida alheia, começou a tomar uma outra forma na sua vida. Acabaram-se as discussões nas caixas de comentários, fim das tretas em família sobre as eleições, uma nova era de paz e amor tomou conta da sua relação com o teclado. A sua decisão deixou de ser uma estratégia de internet e passou a ser uma filosofia de vida. Passou a fazer postagens periódicas no Twitter e nos grupos de Whatsapp pela manhã: “Bom dia amigos! Hoje não sei de nada!” ou “Amanheci sem opinião, bom resto de dia para todos”. E para sua própria surpresa, começou a ter mais “likes” na sua não-opinião do que quando gastava horas defendendo o seu ponto de vista.

Nas reuniões de condomínio, que frequentava assiduamente, passou a repetir o mesmo discurso. Os seus vizinhos no começo estranharam e depois começaram a repetir a tática. As reuniões, antes intermináveis, começaram a acabar cada vez mais cedo. Ele estava cada vez mais feliz. Um peso saiu da sua cabeça.

No Natal, não deu nenhuma opinião sobre o assado. Não tinha resposta a dar sobre o que achava da nova cor do cabelo da sua mulher. Quando o empregado da loja perguntou se o casaco que comprara era para presente, também disse que não sabia. “Quer mais suco?”, “Quantos gramas de queijo?”, “Vamos de férias para a praia?”, “O que é que vamos fazer com o 13o salário?”. Várias perguntas, nenhuma resposta.

De repente, começou a perder o controle da sua vida. Ninguém perguntava mais o que queria ou o que achava das coisas. Tudo era decidido sem que a sua opinião fosse ouvida, simplesmente porque todos sabiam que ele não tinha nenhuma. Às vezes, mesmo sem dizer nada, conseguia o que queria por mero acaso, quando a opinião geral coincidia com o que realmente desejava.

Desconfortável e perdido, fugiu de casa, abandonou sociedade, mulher, filhos, foi viver sozinho no meio do mato, porque foi o lugar que chegou indo em linha reta sem se perguntar para onde deveria virar. Pelo menos lá não tinha que responder à ninguém. Nunca mais foi visto, dizem que morreu de fome ou de dúvida, afogado nas sua opiniões e valores. Afinal, mesmo sozinhos, o consciente e o subconsciente não se calam jamais.

Dicas de sexta – Eike, Havana e Angola

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Política: “Eike e o seguro de Cabral”

Texto da jornalista Malu Gaspar(@malugaspar) na Piauí fala sobre as relações perigosas entre o empresário Eike Batista e o ex-governador Sérgio Cabral.

Jornalismo: “Entrevista de Donald Trump para a ABC”(em inglês)

A transcrição integral da primeira grande entrevista de Donald Trump para a ABC depois da eleição. Um grande trabalho de anotações feita pelos jornalistas do Washington Post.

Jornalismo: “Lost in Trumpslation”(em francês)

“Great, tremendous, incredible, strong e tough”. São as palavras mais usadas por Donald Trump nas entrevistas em improviso. Tradutora explica para o Slate como a falta de vocabulário do presidente norte-americano dificulta o trabalho do tradutor.

Cultura: This is what Havana growing Wifi revolution looks like (em inglês)

O fotógrafo Jason Larkin e o autor cubano Osdany Morales explicam como os 35 pontos de wifi instalados pelo governo de Havana estão mudando a paisagem do país.

Música: Para continuar a descobrir um tesouro chamado Bonga

O cantor angolano vai cantar com o português B Fachada na galeria Zé dos Bois em Lisboa nesta sexta-feira. Último álbum de Bonga está no Spotify.

História: Quarenta anos de ruidoso silêncio

“Tanta gente boa que morreu em 1977! Muitos milhares de jovens idealistas, angolanos que amavam o seu país. Pessoas que, caso ainda estivessem vivas, estariam agora, com toda a certeza, a contribuir para uma Angola melhor”.

O trecho é de um artigo do autor angolano José Eduardo Agualusa referindo-se ao massacre ocorrido em 27 de maio de 1977. Vale a pena ler.

Dória vai pintar o muro de Trump

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Depois de anunciar que vai cumprir a promessa de construir um muro na fronteira com o México, Donald Trump deve revelar nos próximos dias o nome das empresas envolvidas no processo.

Não se sabe ainda quem vai levantar o muro, mas de acordo com informações obtidas por este blog, tudo indica que o prefeito de São Paulo, João Dória, vai ser chamado para fazer a pintura. “Já vi o trabalho de Dória e fiquei feliz com a sua velocidade. Ele realmente trabalha depressa”, teria dito o presidente americano.

Dória se mostrou animado com o convite de Trump, mas não espera começar imediatamente.”Ainda não escolhi a cor, mas hesito entre o cinza chumbo, cinza escuro, cinza prata ou cinza alumínio”, declarou o prefeito da cidade.

Um dos fatores que influenciaram na escolha de João Dória foi a preparação para o cargo. “Quando Trump soube que ele já tinha experiência e o uniforme, decidiram logo”, confessou um membro da equipe de Dória.

O prefeito de São Paulo não quis comentar as polêmicas envolvendo o presidente norte-americano e prefere dar tempo para Trump mostrar o seu valor. “As pessoas são muito apressadas em classificar os governantes. Em política nem tudo é preto ou branco, às vezes também é cinza”, declarou Dória.